Mostrar mensagens com a etiqueta Albano Martins. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Albano Martins. Mostrar todas as mensagens
Também quiseste
ser a concha, ter
um abrigo seguro
na pérgula
das águas. E foste
apenas um molusco
indefeso e vulnerável
a todos
os engodos e a todos
os anzóis.


Albano Martins
Tua beleza esquece-se
de mim.

Sou um marco da estrada:
tu passas, olhas e páras
apenas para medir a distância
que te separa do fim.

Tua beleza distrai-se
e concentra-se em mim.


Albano Martins
Das palavras
que aprendeste
só uma
não tem tradução.
Quando traduzes
o amor, tu sabes
que é já outro o seu nome.
Assim são as algas
quando apodrecem.


Albano Martins
quando a porta se abriu
perguntaste quem era.

não se pergunta ao amor
que nome tem.


Albano Martins
O sótão: era ali
que o mundo começava. Ainda
não sabias, então,
quantas letras te seriam
necessárias para soletrar
o alfabeto dos dias, para encher
a tua caixa
de música, a tua concha
de areia. E ainda
o não sabes hoje. Com cinza
nada se escreve a não ser
as vogais do silêncio. E este
é o nome que se dá à ausência,
quando a noite e a poeira
dos astros pousam
sobre a ranhura dos olhos.


Albano Martins, Escrito a Vermelho