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Ontem quis ser náufrago
e adormecer assim na minha cabana de palmeiras,
fazer com dois cocos um sutiã para a minha mulher.

Quis ser náufrago
e andei pelas bibliotecas e pelas ruas,
questionei inclusivamente a experiência.

E no fim aprendi
que, para o ser,
só tinha de recordar
o que parecia não ter importância,
e varrer um pouco a praia
antes de me instalar,
não se desse o caso do último inquilino
se ter esquecido de o fazer.


Manuel Arana

Um dia destes chamo-te
E gastamos um momento para fazer amor.
A ver se é verdade isso que dizia Cernuda
De que os corpos fazem um ruído muito triste
Quando se amam.


Manuel Arana